18 de fevereiro de 2008

Janela



Eu sento na janela pra ver o pouco de horizonte que os prédios não conseguiram cobrir. O mundo visto de um quadrado é perfeito!
A velha da casa da frente, que usa a bengala para manter o equilíbrio, vai até a porta, encosta-se na batente e fica alí olhando... pensando exatamente como eu.
E se não é perfeito ver os pingos de chuva nos fios de luz, de telefone. Ver a rua cinza, os prédios cinza, o céu nublado, os carros dando cor à paisagem como pinguinhos de tinta no papel. Uns cor de grafite mais claro, outros grafite quase preto.
O barulho, os grunhidos, os motores, as cores... as cores... Que cores???
Ninguém pode sair. Porque quando chove, todos preferem ficar em casa mesmo fazendo um bolo bonito, dormindo ou ficar vendo a chuva caindo nos fios de telefone, na grama da frente de casa, nos carros, no jardim do vizinho.
Quando o sol aparece, ninguém pode ir a lugar nenhum. Porque quando o sol aparece, todos preferem ficar em casa fazendo um mais bolo bonito, dormindo ou ficar vendo o sol refletindo nos espelhos dos carros, nos pêlos dos cachorros de rua.
Eu sento na janela e fico ali vendo um horizonte enquadrado, imaginando como seria se a velha da bengala de repente começasse a dançar, se saísse som dos fios elétricos cada vez que caísse uma gota de chuva, se existissem mais carros amarelos estacionados na rua, se um leitão passasse correndo, se um prédio explodisse... se eu estivesse lá pra ver.

2 comentários:

bando da leitura disse...

e se a unica vela que eu tivesss fosse uma velinha de aniversario.

Benett disse...

se aquele pacote de jujubas fosse uma cartela de ácido...